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O que queres ser?

Na adolescência é muito comum ouvir a pergunta, O que você quer ser quando crescer? Como si esta decisão fosse fácil e não tivesse imensas implicações.

Os adultos normalmente sabem qual é a melhor profissão, em qual se ganhará mais dinheiro e qual será aquela que irá garantir uma vida estável.

Mas na realidade este desafio é muito grande, complexo e impactante, quer no presente como no futuro destes jovens, e nem sempre eles estão preparados para decidir qual a área profissional irão escolher. Esta decisão é um processo complexo, que requer que o indivíduo esteja bem informado sobre as opções existentes, tenha um auto conhecimento, consiga identificar os seus interesses, valores, habilidades, motivações e tenha sobretudo muita resiliência e capacidade para lutar pelos seus sonhos.

Existem fatores relevantes na decisão do adolescente, como por exemplo: os adolescentes baseiam as suas escolhas em estereótipos ou representações distorcidas da profissão, ou por outro lado são influenciados pela família, pela mídia e por sistema de valores social, cultural e económico, alguns são seduzidos apenas pelo retorno financeiro, desvalorizando as gratificações emocionais e pessoais. Outros, diante de tanta pressão, decidem por seguir a profissão de um dos pais. O jovem, perante tantos conflitos, receia falhar ou desiludir os pais e por isso acaba por aceitar as sugestões de familiares sem uma avaliação realista e crítica da mesma.

A escolha de uma profissão, não é um ato isolado mas coincide com uma fase de vida marcada pela transição, cheia de crises e mudanças que é a adolescência.

Assim, ao pensar na escolha, a maioria dos jovens são tomados por preocupações e no extremos crises de ansiedade.

A escolha da profissão é uma fase de busca de sentido da vida com todas as angústias e ansiedades que esta engloba e, por outro lado, uma exigência de que o estudante escolha nesse momento o que deseja ser para o resto da vida. É uma decisão séria, complexa e por vezes extremamente angustiante.

Devido à complexidade deste tema, é fundamental o apoio dos pais, não esquecendo que quem seguirá a profissão serão os adolescentes e não os pais, o apoio dos educadores e psicólogos para clarificar dúvidas, organizar informações a respeito do mundo do trabalho e descobrir alternativas, não esquecendo das características, personalidade, habilidades, aptidões do adolescente.

O trabalho é muito mais importante que um mero cumprir tarefas estabelecidas, tem a ver com a dignificação da vida e com a realização pessoal.

 

Não esquecer que o futuro é consequência das escolhas realizadas no presente.

Contaremos com a ajuda da Professora Maria João Viegas, uma das autoras do livro “O Que Queres Ser”, para responder as questões colocadas por uma adolescente que frequenta o 12º ano. Esta entrevista poderá elucidar muitos outros adolescentes que passam pelo mesmo dilema.

1 – Porque é difícil escolher um curso?

Hoje em dia, com toda a informação que há disponível na internet é fácil para qualquer jovem recolher informação sobre os cursos existentes e sobre os tipos de profissões que se abrem em cada um. A maior dificuldade está no facto de a grande maioria dos jovens, na idade em que têm que fazer as primeiras escolhas, ainda não terem feito um trabalho de autoconhecimento que lhes permita fazer essa escolha com consciência. É fundamental que qualquer pessoa saiba quem é, o que é importante para si, quais são as suas prioridades na vida, os seus gostos, os seus valores e os seus talentos. Descobrir tudo isso dá trabalho e exige algum tempo. Há muitos adultos que nunca fizeram este exercício e, por isso, sentem-se insatisfeitos com a vida e andam um bocadinho “à deriva”.

 

2 – Não quero desiludir os meus pais, mas como vou lidar com a opinião deles?

Os teus pais são as pessoas que melhor te conhecem e que mais desejam que sejas feliz, por isso, ter a opinião deles é importante. Eles podem ser uma ajuda preciosa na reflexão. No entanto, é fundamental que esteja claro para todos que a decisão final tem que ser tua. És tu quem vai, durante muitos anos, ter que se levantar da cama todos os dias de manhã para ir trabalhar na profissão que escolheres agora e, por isso, és tu que tens que gostar do trabalho e és tu que tens que te sentir satisfeito com ele. É para ti que tem que fazer sentido. Se os teus pais perceberem que tu estás a fazer uma reflexão cuidada sobre o assunto, e que levas em conta as suas opiniões, vão ter mais facilidade em aceitar e apoiar as tuas escolhas. Se, pelo contrário, os teus pais tiverem a perceção de que estás a escolher algo só porque achas giro, ou porque te parece que vai dar pouco trabalho, ou porque estás a ser influenciado por amigos que vão fazer a mesma escolha, é normal que se preocupem e que tentem impor a sua opinião.

 

3 – Se eu me arrepender da escolha que fiz?

Antes de mais há que dizer que não há nada na vida que seja apenas branco ou preto. A escala de cinzentos é imensa. Dito isto, nenhuma escolha será tão má que só traga consequências más, nem nenhuma escolha é tão maravilhosa que só traga coisas boas.

Apesar de hoje achar que não fiz a melhor escolha, tenho aprendido muito, vivido muitos momentos bons e tenho conhecido muitas pessoas fenomenais graças à escolha que fiz.

A Marta, que escreveu este livro comigo, é um desses exemplos. Não a teria conhecido se tivesse escolhido outro curso e não teríamos escrito este livro. Aliás, se tivesse feito uma escolha mais acertada provavelmente não daria hoje tanta importância a este tema.

Só descobri “o que quero ser quando for grande” quando já tinha quase 40 anos. Durante um curso de coaching, fiz uma reflexão que me permitiu perceber o que de facto me faria feliz a nível profissional. Na altura pensei como teria sido maravilhoso ter feito essa mesma reflexão quando era adolescente e tinha de fazer as minhas escolhas. Foi por isso que quis escrever este livro. A Marta juntou-se a mim porque estava a fazer uma transição de carreira e, por isso, andava também mergulhada neste tema.

Se chegares à conclusão que fizeste uma escolha errada, o que tens de fazer é procurar uma porta para iniciar um caminho que te faça mais feliz. Terás de analisar todas as alternativas que tiveres à tua disposição e reunir as condições necessárias para abrires a tal porta.

Eu estou neste momento a iniciar uma pós-graduação que me permitirá candidatar-me a um trabalho no qual poderei fazer o que de facto me apaixona. Vou fazê-lo estando a trabalhar ao mesmo tempo e com dois filhos para cuidar. Claro que teria sido mais fácil acertar logo à primeira, daí a importância da reflexão cuidada, mas a verdade é que mudar o rumo da nossa vida é algo que está nas nossas mãos.

4 – O que é isso de curso certo?

Para mim, o curso certo é aquele que permitir aprender coisas sobre as quais tens curiosidade e sobre as quais tens vontade de estudar. É o curso no qual os teus talentos são bem aproveitados e explorados. É o curso que te vai dar as bases necessárias para assentares todo o conhecimento que, após o curso vais ter que adquirir em contexto de trabalho a fim de dar resposta aos desafios profissionais que surgirem. É o curso que te vai permitir exercer uma profissão ou atividade que te entusiasma. Não esquecer que, como referi na resposta anterior, a escala de cinzentos é imensa.

5 – Devo lutar pela minha profissão de sonho ou escolher uma daquelas que garantem o meu futuro?

No livro temos uma secção onde discutimos esta questão. Chamamos-lhe: “O poder da motivação e o dilema das saídas profissionais”.

Embora a escolha pela profissão “de sonho” possa parecer assustadora e arriscada, de uma forma muito resumida, a nossa opinião é que essa por vezes pode ser a escolha certa. No entanto, parece-nos fundamental que reúnas as duas condições seguintes:

1 – Tens que estar convenientemente informado sobre o que consiste trabalhar nessa profissão e não baseares a tua decisão apenas na ideia romântica que tens ‘do que deve ser’ tal profissão. Estar devidamente informado implica não só ter lido sobre o assunto na Wikipédia, mas também ter consultado e perdido várias horas a navegar nos sites das empresas ou instituições onde se pratica aquela profissão a investigar o tipo de trabalho e tarefas associadas a ela; ter avaliado o tipo de formação apropriado que têm de receber e o tempo necessário para o fazer; ter identificado as possíveis especializações a que podem ter acesso; ter conseguido compreender qual é o percurso de carreira típico a vários anos e quais são os fatores necessários para progredir na carreira; ter identificado os riscos mais significativos associados a essa carreira e refletido sobre eles; e por fim – um requisito imprescindível – ter conversado com vários profissionais da área, com percursos e experiências diferentes, sobre o que consiste o seu trabalho.

2 – Tens de ter um autoconhecimento minimamente fidedigno. Isto significa que tens de conseguir identificar as tuas potencialidades e as tuas limitações de forma objetiva. Nem sempre é tarefa simples, por um lado porque nem sempre paramos para pensar e analisar as nossas capacidades. E por outro porque, como seres humanos que somos, temos dificuldade em desligar o interruptor dos sentimentos e emoções para que estes não influenciem a nossa capacidade de análise objetiva.

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