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Meu querido pai, até já.

Pai, não tivemos tempo, foram 35 anos partilhados e ainda assim não tivemos tempo.
Não tivemos tempo porque temos sempre a certeza de que teremos tempo e que controlamos tudo.
A nossa última conversa, as últimas palavras cheias de sabedoria.
A frase “aceita que dói menos” perante uma situação difícil.
Mais uma vez, a certeza que dali a dois meses nós nos iríamos encontrar.
A certeza que já faltava tão pouco tempo, apenas dois meses, depois de 6 anos de saudade.
Embora estivéssemos felizes, pois também tu tinhas a certeza de que teríamos tempo e nos iríamos encontrar novamente.
Só nos esquecemos de um detalhe: não controlamos a vida nem o tempo.
A nossa promessa foi quebrada, não por mim nem por ti, apenas porque não tivemos tempo.
Vou tentar seguir teu conselho aceitar para doer menos, mas confesso que desta vez esta difícil aceitar, tu foste embora sem tempo para nos despedirmos, sem o último abraço sem saberes as minhas novidades. Queria tanto mostrar-te meu diploma, tinha a fita para que tu escrevesses a dedicatória, mostrar as coisas que aprendi e que queria te ensinar. Mas já não fui a tempo.
Mas eu sei e sinto que foste em paz e feliz, porque estavas orgulhoso da tua florzinha. Tinhas a certeza que teríamos tempo. Pediste à mãe para te comprar camisas novas, querias estar ainda mais lindo quando tuas filhas chegassem.
Eu sei que por ti estarias à minha espera como estava combinado, mas te levaram com tanto cuidado e de forma tão rápida que não houve tempo para o adeus.
Na verdade, também que não foi um adeus, mas sim um até já.
O tempo voa e daqui a pouco já estaremos juntos, mas desta vez para sempre e sem medo de não termos mais tempo.
Até já, Pai.

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